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segunda-feira, 14 de março de 2011

MAIS UMA DAS CHUVAS

            Cidade de luto. As chuvas dessa semana tornaram a castigar nossa preciosa cidade, barreiras no Estrada da Saudade e alagamentos no Centro e em Correas. Pessoas ilhadas, mas quase nenhuma morte, exceto por uma. Os jornais o identificam como um homem de 40 a 49 anos, que foi arrastado pela brutal força das águas em Correas e encontrado debaixo de um caminhão, na Fábrica da Coca-Cola. Mauricio Bender da Silva, 39 anos, membro querido da comunidade do Humberto Rovigatti. Como sei disso? Tive a oportunidade de conhece-lo em vida, pessoa boa, trabalhador, mas sofria de deficiências mentais. O fato é que Maurício foi encontrado morto, mas existem diversas hipóteses de como isto aconteceu; Segundo relatos de moradores da comunidade ele embarcou no ônibus de 21:40h, tendo chegado no terminal Itamarati ás 22h; a partir daí seu destino é incerto, alguns afirmam que ele seguiu a pé para o terminal Correas, outros dizem que ele seguiu de ônibus e foi abandonado pelo motorista antes do destino final por causa da enchente. Teria seguido a pé, com motivação de chegar ao bairro de Araras, tendo sido arrastado pela força da água. Caro Maurício, onde estejas, saiba que permanecerás sempre no coração da comunidade.

            Homenagens devidamente prestadas, vamos à crítica, que é o objetivo deste blog. Vamos trabalhar em cima da segunda hipótese, afinal sei de fontes confiáveis que um ônibus da linha 300 (Terminal correas) teria passado em torno de 22:20h no terminal Itamarati e seguido para Correas, chegando próximo do BNH de correas, o motorista teria ordenado que os passageiros descessem, pois ele retornaria à garagem, por não poder seguir por causa da enchente. Este fato corobora a segunda hipótese, de que Maurício teria seguido de ônibus. Caros leitores imaginem vocês se um filho deficiente é forçado a desembarcar de um ônibus em área de iminente enchente?

            A postura deste motorista foi no mínimo errada e egoísta, errada por moral e egoísta por pensar em sua própria dispensa, ao invés de dar suporte aos passageiros e chegar em casa tarde. Alguém tem que ser responsabilizado, a empresa ou o motorista? Não sei. Penso que os dois, a empresa por não dar treinamento e informação adequada a seus funcionários e o motorita por ter tomado esta medida, com o perdão da palavra, débil. A viação em questão é a Cidade das Hortênsias e o motorista não tenho informações. Mais uma vítima do nosso transporte público precário e mal-concebido e novamente, ninguém é responsabilizado.

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