Parei para refleir sobre o acesso à cultura em nossa cidade. Me dei conta de como este é limitado e elitizado; Como jovem oriundo de classe desfavorecida, nunca tive acesso à cultura, e isto se refletiu demais em minha formação. Contamos atualmente com pouquíssimos atrativos culturais em nossa cidade e são quase inexistentes as atividades voltadas para o público jovem. No Theatro Dom Pedro são exibidas peças a preços exorbitantes, algumas são até interessantes, outras nem tanto e, em sua maioria, são voltadas para a área abastada da sociedade petropolitana. No Centro de Cultura Raul de Leoni, existem tentativas de se divulgar cultura, mas que são muito mal-articuladas e que convenhamos são de extremo mal-gosto ao olhar do jovem. Os cinemas (Cinemark e Top Cine) praticam preços absurdos (R$14,00 o ingresso inteiro), sendo que em cidades como Duque de Caxias e Rio de Janeiro este valor não chega sequer à metade, isso sem contar esta tentativa de driblar a lei. Ao conceder a todos os clientes o meio-ingresso, estão anulando o direito do estudante à meia-entrada, ou seja eles põe a um preço exorbitante, de forma que o meio ingresso fique o preço dos ingressos inteiros em outras cidades, e dão meia entrada a todos, fazendo com que os estudantes desembolsem os mesmos R$ 7,00 que um adulto economicamente ativo. Sobrou como último atrativo cultural interessável o Parque Municipal de Itaipava, que, além de ser longe da massa populacional, está em situação de abandono pelo poder público, que não promove eventos e nem cria novas estruturas de lazer (ex. uma pista de skate, que, aposto, seria muito bem-vinda).
Ao meu ver as secretarias de Educação e Cultura deveriam atuar conjuntamente para promover a cultura na cidade, tendo como pedra fundamental o incentivo aos poucos grupos culturais existentes e a estimulação para a criação de novos grupos. Através desse patrocínio estas pessoas poderiam expor e aperfeiçoar suas artes e, quiçá, incentivar aos jovens que se dediquem mais ao mundo artístico, e é aí que entra a secretaria de educação, promovendo esses incentivos dentro das escolas, capacitando os professores de educação artística e criando junto com eles um programa de incentivo as artes. Quantos atores jovens vi surgir nas escolas em que estudei... e mesmo os que não interpretavam bem, se dedicavam ao teatro com afinco e prazer, afim de se divertirem e relaxarem... e quando procuravam o apoio da Fundação de Cultura, mal conseguiam, com muita insistência, o direito de usar por poucos minutos uma das salas do Centro de Cultura, e acabavam desmanchando seu grupo, por falta de oportunidades de apresentação...
A cultura e o lazer devem ser repensados e amplamente divulgados em Petrópolis, afinal todos tem direito ao conhecimento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário